NA TRILHA DO DESENVOLVIMENTO
Por Paulo Fernandes Tigre*
Dois aspectos são particularmente relevantes na agenda de precondições para o país se tornar competitivo e acelerar o crescimento, entregue por líderes da indústria aos candidatos à presidência da República. Um deles é a inovação. O outro, a questão educacional. Por que destacar apenas esses entre um total de 12 pontos, todos eles importantes? Simplesmente porque inovação e ensino, assim como questões relacionadas à segurança jurídica, à infraestrutura, à tributação e aos gastos públicos, são pressupostos para garantir produtividade e para permitir ao país se equiparar às economias desenvolvidas. Ou o Brasil opta por este caminho e acelera a implantação das mudanças necessárias, ou ainda precisará de muito mais tempo até garantir essa conquista.
No livro Quente, Plano e Lotado, no qual amplia ideias lançadas em O Mundo É Plano, o colunista Thomas L. Friedman, do New York Times, propõe um interessante exercício de imaginação. O que ocorreria, provoca o autor, se fosse possível canalizar a criatividade e a capacidade de inovação de parcelas da população em todo o planeta hoje excluídas da condição de agentes do desenvolvimento? Se essas pessoas tivessem acesso à escola e pudessem contar com as ferramentas necessárias para poder se conectar, haveria certamente uma explosão inovadora em áreas que vão da ciência à tecnologia, à arte e à literatura. Um exercício instigante é propor o mesmo raciocínio para o Brasil.
O documento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregue aos candidatos chama a atenção para o aspecto de que, sob o ponto de vista da inovação, o Brasil demanda um esforço superior ao empreendido pelas nações desenvolvidas de maneira geral. O país é carente de mão de obra qualificada, de instituições sólidas de pesquisa, de políticas governamentais que realmente deem amplitude e escala a esta questão tão fundamental.
Em plena crise econômica global, a humanidade depara hoje com uma verdadeira era das inovações em massa. Cada vez mais, a engenhosidade humana firma-se como um recurso ilimitado que pode fazer a diferença – em todo o mundo e também no Brasil. Não é difícil imaginar, como propõe o colunista norte-americano, o que ocorreria se grandes contingentes populacionais, favorecidos pela ênfase ao ensino, ficassem em condições de colocar todo o seu potencial inovador a serviço de seus países. Haveria ganhos notáveis em áreas como educação, novas tecnologias e bioeconomia, entre tantas outras já estruturadas ou ainda por surgir. Todas elas são vitais para manter e aprofundar um crescimento capaz de contemplar a todos de forma mais equânime.
Entre as providências necessárias para garantir o máximo aproveitamento desses avanços, estão algumas defendidas pelo setor industrial como precondição para o crescimento econômico sustentado. É o caso, por exemplo, de ações emergenciais na área de preservação ambiental e de infraestrutura, com ênfase na geração de energia limpa e no aumento dos índices de produtividade, permitindo ao país contemplar com eficiência tanto o mercado interno quanto o externo. É o caso, também, da necessidade de uma urgente renovação na legislação trabalhista, capaz de torná-la menos rígida e mais simples, e de uma redução na burocracia, hoje um dos maiores entraves à competitividade. Além de investir mais, o país precisa também dedicar atenção especial às micro e pequenas empresas que, por serem mais flexíveis, demonstram maior capacidade de inovação.
Alcançadas as condições, a estimativa é de que, em três décadas, a renda per capita dos brasileiros poderá tornar-se até quatro vezes maior. Tudo vai depender das prioridades de quem assumir a presidência e da disposição dos próximos governantes em dar continuidade a esse caminho cujo tempo de percurso é superior ao de um único mandato e que leva diretamente ao desenvolvimento.
* Presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs)





